Estudo 1: Vírus

Publicado: 12 de fevereiro de 2011 em Estudos

 CARACTERÍSTICAS

 Os vírus são seres muito simples e possuem tamanho menor que as menores células conhecidas. Os vírus não são incluídos nos sistemas tradicionais de classificação dos seres vivos, porque suas manifestações vitais só ocorrem quando se encontram no interior de células vivas. Sua relação com essas células é a de parasitismo: após infectadas, usam o seu equipamento bioquímico e energia para dar origem a novos vírus. São, pois, parasitas obrigatoriamente intracelulares.

CONCEITO DE ESPÉCIE

 Os vírus não se classificam de acordo com os princípios de classificação científica utilizados para plantas e animais, seguindo antes regras próprias.

 Na classificação dos vírus existe:

  • Classificação antiga – Sintomatologia
  • 1966, Comitê Internacional de Taxonomia Viral:
  • Tipo de ácido nucléico
  • Estratégia de replicação
  • Morfologia
  • De Reino até Ordem – ausência de classificação
  • Família – viridae
  • Gênero – vírus
  • Espécie viral

 Cerca de 3.600 espécies(mas se estima que haja mais ou menos 500.000 espécies, e podem, no futuro ser mais, porque são mutagênicos, se transformam)

 As regras da nomenclatura binomenal de Lineu não são aplicadas aos vírus. Eles não possuem, na verdade, um nome científico, porém nomes que são usados em todo mundo (há palavras em latim, português, inglês, grego, etc.), como se fosse um nome científico (também há uma sigla e um código numérico que é usado em todo o mundo).

 Existem outros grupos possíveis, como por exemplo Tipo, que neste artigo são substituídos pelos seus correspondentes (no caso, tipo corresponde a um gênero, mas há também correspondentes de famílias).

 É opinião de muitos especialistas que não existem classes de vírus, pois, pelas características dessas classes, alguns vírus ficam por contemplar. Assim, a classificação dos vírus em classes é inadequada.

 No entanto, porque são utilizadas por alguns autores, fazemos aqui uma breve referência a uma das classificações possíveis (com base nas características do genoma), sem cariz filogenético, já que os vírus podem não ter uma origem em comum… Segue-se um destes tipos possíveis

  • Classe I – DNA de banda (ou fita) dupla.
  • Classe II – DNA de banda simples.
  • Classe III – RNA de banda dupla.
  • Classe IV – banda simples de RNA positivo (isto é, o RNA é imediatamente traduzido pelos ribossomas, actuando como se fosse RNA mensageiro).
  • Classe V – banda simples de RNA negativo (é necessário transcrever a banda em RNA mensageiro).
  • Classe VI – banda simples, positiva, de RNA, com DNA como intermediário na formação das proteínas (Retrovírus).
  • Classe VII – banda dupla de DNA com um RNA intermediário na replicação (Hepadnaevírus).

 Há outras classificações virais com classes, embora a verdadeira não use classes. Essas outras classificações, a classes por seu anfitrião (indivíduo que o vírus infecta), ou ácido nucléico, ou por tipo, como satellites e viroids. Também há uma classificação viral que usa dois filos: Desoxivirus e Ribovirus. Há também uma que diz que todos os grupos são chamados: Forma.

 Antigamente os vírus eram classificados como bactérias, no Reino das plantas, no tempo dos dois reinos.

ESTRUTURA E CONSTITUIÇÃO

 Quimicamente, os vírus são constituídos por dois tipos de componentes essenciais: ácido nucléico e proteína. Um vírus nunca apresenta mais que um ácido nucléico. O ácido nucléico do vírus é o DNA ou o RNA. Percentualmente, a quantidade de ácido nucléico encontrada em um vírus pode variar de aproximadamente 1% até 50 % de sua massa.

 O número de proteínas encontrado num mesmo vírus é sempre muito reduzido. Essas proteínas apresentam propriedades antigênicas, ou seja, comportam-se como antígenos. Isso significa que quando injetadas no organismo induzem á produção de anticorpos específicos. Essa propriedade é utilizada  para identificação do vírus e, também, para a produção de vacinas.

 Alguns vírus, além de ácido nucléico e proteínas, possuem ou polissacarídeos. Estes são considerados componentes adicionais.

A estrutura do vírus é simples e bem definição: em geral, são constituídos por uma capa protéica, chamada capsídeo, envolvendo o ácido nucléico.

O capsídeo é, por sua vez, formado por unidades polipeptídicas denominadas capsômeros. Nucleocapsídeo é o nome dado a uma estrutura viral formada pela associação do capsídeo com o ácido nucléico do vírus. Muitos vírus possuem, ainda, uma membrana lipoproteíca envolvendo o capsid; esta membrana é chamada de envelope. O envelope facilita a interação do vírus com a membrana citoplasmática e aumenta a proteção do vírus contra o sistema de defesa do organismo.

BACTERIÓFAGO

Um fago (também chamado bacteriófago) é um pequeno vírus que infecta apenas bactérias. Da mesma forma que vírus que infectam eucariontes, os fagos consistem numa proteína exterior protetora e no material genético dentro da cápsula.

A reprodução ou replicação dos bacteriófagos, assim como os demais vírus, ocorre somente no interior de uma célula hospedeira.

Existem basicamente dois tipos de ciclos reprodutivos: o ciclo lítico e o ciclo lisogênico. Esses dois ciclos iniciam com o fago T aderindo à superfície da célula bacteriana através das fibras protéicas da cauda. Esta contrai-se, impelindo a parte central, tubular, para dentro da célula, à semelhança, de uma microsseringa. O DNA do vírus é, então, injetado fora da célula a cápsula protéica vazia. A partir desse momento, começa a diferenciação entre ciclo lítico e ciclo lisogênico.

No ciclo lítico, o vírus invade a bactéria, onde as funções normais desta são interrompidas na presença de ácido nucléico do vírus (DNA ou RNA). Esse, ao mesmo tempo em que é replicado, comanda a síntese das proteínas que comporão o capsídeo. Os capsídeos organizam-se e envolvem as moléculas de ácido nucléico. São produzidos, então novos vírus. Ocorre a lise, ou seja, a célula infectada rompe-se e os novos bacteriófagos são liberados. Sintomas causados por um vírus que se reproduz através desta maneira, em um organismo multicelular aparecem imediatamente. Nesse ciclo, os vírus utilizam o equipamento bioquímico(Ribossomo)da célula para fabricar sua proteína (Capsídeo).

No ciclo lisogênico, o vírus invade a bactéria ou a célula hospedeira, onde o DNA viral incorpora-se ao DNA da célula infectada. Isto é, o DNA viral torna-se parte do DNA da célula infectada. Uma vez infectada, a célula continua suas operações normais, como reprodução e ciclo celular. Durante o processo de divisão celular, o material genético da célula, juntamente com o material genético do vírus que foi incorporado, sofrem duplicação e em seguida são divididos equitativamente entre as células-filhas. Assim, uma vez infectada, uma célula começará a transmitir o vírus sempre que passar por mitose e todas as células estarão infectadas também. Sintomas causados por um vírus que se reproduz através desta maneira, em um organismo multicelular podem demorar a aparecer. Doenças causadas por vírus lisogênico tendem a ser incuráveis. Alguns exemplos incluem a AIDS e herpes

DENÇAS INFECCIOSAS

 Agente etiológico é a denominação dada ao agente causador de uma doença. Normalmente, este causador precisa de um vetor para proliferar tal doença (ou seja, completar seu ciclo de parasitismo). Este vetor pode ser animado ou inanimado. Existem centenas de agentes etilógicos dos quais podem causar, se não tratados, uma série de más consequências. Dentro dessas centenas de agentes etiológicos, há que ter em conta que podem ser de origem endógena ou exógena. Processos infecciosos causados por diferentes tipos de agentes etiológicos – bactérias , fungos, protozoários , vermes  e vírus  – que penetram, se desenvolvem e se multiplicam no organismo humano (hospedeiro).

Segundo seu aparecimento e evolução, as doenças infecciosas  podem ser epidêmicas, endêmicas e pandêmicas. As doenças epidêmicas são aquelas com ocorrência de muitos casos num dado período e com tendência a desaparecer, como o dengue e a cólera. As endêmicas apresentam quantidade significativa de casos em certas regiões, como a malária na Amazônia. E as pandêmicas são as que têm muitos casos espalhados pelo planeta ou continente, como a Aids . Uma parte das doenças infecciosas pode ser evitada com vacinas específicas e medidas de educação sanitária, como beber água fervida ou clorada e só comer verduras e legumes crus bem lavados.

AIDS

Transmissão da doença

A AIDS é transmitida através do contato sexual, da transfusão de sangue contaminado, da mãe para o bebe durante a gravidez ou na amamentação e ainda pela reutilização de seringas e agulhas entre os usuários de drogas injetáveis.

Sintomas

A aids não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Entretanto, os sintomas iniciais são geralmente semelhantes e, além disso, comuns a várias outras doenças. São eles: febre persistente, calafrios, dor de cabeça, dor de garganta, dores musculares, manchas na pele, gânglios ou ínguas embaixo do braço, no pescoço ou na virilha e que podem levar muito tempo para desaparecer.

Com a progressão da doença e com o comprometimento do sistema imunológico do indivíduo, começam a surgir doenças oportunistas, tais como: tuberculose, pneumonia, alguns tipos de câncer, candidíase e infecções do sistema nervoso (toxoplasmose e as meningites, por exemplo).

Tratamento da AIDS

Infelizmente a medicina ainda não encontrou a cura para a Aids. O que temos hoje são medicamentos que fazem o controle do vírus na pessoa com a doença. Estes medicamentos melhoram a qualidade de vida do paciente, aumentando a sobrevida. O medicamento mais utilizado atualmente é o AZT ( zidovudina ) que é um bloqueador de transcriptase reversa. A principal função do AZT é impedir a reprodução do vírus da Aids ainda em sua fase inicial. Outros medicamentos usados no tratamento da Aids são : DDI ( didanosina ), DDC ( zalcitabina ), 3TC ( lamividina ) e D4T ( estavudina ). Embora eficientes no controle do vírus, estes medicamentos provocam efeitos colaterais significativos nos rins, fígado e sistema imunológico dos pacientes.

Cientistas do mundo todo estão trabalhando no desenvolvimento de uma vacina contra a Aids. Porém, existe uma grande dificuldade, pois o HIV possui uma capacidade de mutação muito grande, dificultando o trabalho dos cientistas no desenvolvimento de vacinas. 

Profilaxia

Como não há cura para a doença, seu combate deve ser feito através de medidas preventivas, tais como o uso de preservativos, o controle de qualidade do sangue usado em transfusões e o emprego de seringas e agulhas descartáveis.

DENGUE

Transmissão

A transmissão da doença se faz através de um mosquito. Este, chamado de Aedes aegypti, pica uma pessoa com dengue, contraindo o vírus.

Já contaminado com a dengue, o mosquito irá picar uma pessoa sadia, inoculando o vírus na circulação sanguínea desta.Mais tarde, com a multiplicação do vírus na corrente sanguínea, esta pessoa irá desenvolver os primeiros sintomas. Geralmente, estes se manifestam após o 3º dia da picada do mosquito.

Sintomas

A doença pode se manifestar de duas formas: a dengue clássica e a dengue hemorrágica.

Dengue Clássica: os sintomas são mais brandos. A pessoa doente tem febre alta, dores de cabeça, nas costas e na região atrás dos olhos. A febre começa a ceder a partir do quinto dia e os sintomas, a partir do décimo dia. Neste caso, dificilmente acontecem complicações, porém alguns doentes podem apresentar hemorragias leves na boca e nariz.

Dengue hemorrágica (ocorre quando a pessoa pega a doença por uma segunda vez): neste caso a doença manifesta-se de forma mais grave. Nos primeiros cinco dias os sintomas são semelhantes ao do tipo clássico. Porém, a partir do quinto dia, alguns doentes podem apresentar hemorragias em vários órgãos e choque circulatório. Pode ocorrer também vômitos, tontura, dificuldades de respiração, dores abdominais intensas e contínuas e presença de sangue nas fezes. Não ocorrendo acompanhamento médico e tratamento adequado, o paciente pode falecer.

No verão essa doença faz uma quantidade maior de vítimas, pois o mosquito transmissor encontra ótimas condições de reprodução. Nesta estação do ano, as altas temperaturas e a grande quantidade de chuvas, aumenta e melhora o habitat ideal para a reprodução do Aedes Aegypti: a água parada. Lata, pneus, vasos de plantas, caixas d’água e outros locais deste tipo são usados para fêmea do inseto depositar seus ovos. Outro fator que faz das grandes cidades locais preferidos deste tipo de mosquito é a grande quantidade de seu principal alimento: o sangue humano.

Tratamento 

Para o caso da dengue clássica, não existe um tratamento específico. Os sintomas são tratados e recomenda-se repouso e alimentação com muitas frutas, legumes e ingestão de líquidos. Os doentes não podem tomar analgésicos ou anti-térmicos com base de ácido acetil-salicílico, pois estes favorecem o aparecimento e desenvolvimento de hemorragias no organismo.

Já no caso mais grave da doença, a hemorrágica, deve haver um rigoroso acompanhamento médico em função dos possíveis casos de agravamento com perdas de sangue e choque circulatório.

Profilaxia

Eliminar os focos de reprodução como retirar água parada no interior de garrafas, pneus e vasos; tampar caixas-d’água;  usar tela protetora em janelas e portas para impedir o acesso do mosquito (em residências próximas a locais em que há maior incidência destes); usar inseticida e desinfetantes domésticos, que embora não eliminam podem diminuir a presença dos mosquitos.

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comentários
  1. manuellabio disse:

    Os post ficou muito bom, bem organizado, faltou colocar as referencias da pesquisa.

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